terça-feira, 4 de setembro de 2012

Obituário. Causa mortis: poda.





A coluna do Ancelmo Gois, no Globo de segunda-feira, dia 3, anunciou a derrubada de uma frondosa e centenária figueira – mais uma -, num terreno do banco Bradesco, em Botafogo, na sexta-feira anterior.  Segundo a nota, os vizinhos tentaram em vão salvar a árvore, mas a alegação de que ela estava condenada por um laudo da Defesa Civil falou mais alto e a Fundação Parques e Jardins autorizou o abate.
Até quando as árvores da cidade, que atende pela alcunha de “cidade maravilhosa”, vão continuar vindo abaixo pelo descaso das autoridades competentes? Talvez devêssemos dizer autoridades incompetentes, pois salta aos olhos o crime que vem sendo cometido contra nossas árvores há tanto tempo e ninguém faz nada a respeito.
Não sei o verdadeiro estado da pobre figueira – “prenhe de diversidade”, segundo uma leitora da coluna, já que era habitada por pássaros, micos e bromélias -, mas sei o que anda levando nossas árvores ao triste fim: as podas mal feitas, que vão afilando seus troncos. Como não mais conseguem crescer para os lados, desesperadamente tentam subir para procurar sobreviver. Despidas dos seus galhos mais rentes ao chão, em amputações criminosas, elas perdem o equilíbrio e o peso do fino tronco leva-as ao solo.
A desculpa de que vão plantar não sei quantas mudas no lugar da derrubada, não convence: geralmente, esse plantio é feito por pessoas que não conhecem o assunto e vemos surgir milhões de mudas inapropriadas a uma cidade ensolarada e quente, muitas vezes de arbustos que não dão a mesma sombra, ou até mesmo de palmeiras que, embora lindas e necessárias, não têm nada a ver com o local em que as colocam. Quando é que nossas autoridades vão descobrir a importância que as árvores representam para manter um clima mais ameno e humano numa cidade?






Voltei. Pela segunda vez e agora pra ficar. Ninguém mais vai me calar. Nada mais vai me calar. Essa é a hora. A hora da morte, da ressurreição. Da vida. Desculpem o tempo parado. Perdoem a dor da mágoa antiga. O tempo não pára (ainda não adotei a nova ortografia, não me parece fazer sentido).     
É hora de seguir seguindo. De pegar o trem na estação seguinte. Até a hora do adeus final. Tô de volta. Pra vida. Pro que der e vier. Vamos cantar a vida.






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