segunda-feira, 21 de março de 2011

Carnaval versus blocos: pesadelo onde idoso não tem vez.

Há alguns meses, assinei uma petição para a permanência de um simpático galo, que costuma soltar seu gogó nas madrugadas insones dos moradores de um fim de rua em Copacabana. Rua sem saída, cercada de morro e prédios, onde a acústica é perfeita para a reverberação do som. Tanto dos bem-vindos, como o canto do bicho penoso, que faz a gente se imaginar na roça, cercada de natureza por todos os lados, e até dos nem tão bem-vindos, como os que saem de caixas de som a todo volume, onde a democracia não vigora – você tem que ouvir, queira ou não.
Pois bem, os detratores do galo foram pra Justiça, perderam a briga e o galo continuou cantando noite adentro, com um aditivo: virou nome de bloco de carnaval e os moradores da vizinhança passaram a ouvir de manhã à noite a música que levaria o bloco pra rua.
Mas o carnaval acabou e com ele se foram os blocos. Para alívio dos nossos ouvidos porque, por mais que uma pessoa goste da folia, esta tem hora e lugar. É bom na rua, quando a gente está cantando e pulando de alegria. É ruim dentro de casa, quando você não consegue falar com a pessoa que está do seu lado, ouvir televisão ou outra música que não aquela imposta. Idoso então, esse não tem vez, apesar de viver na melhor idade (sic). Tem que aturar, goste ou não, suporte ou não. Até porque, nosso prefeito pop nunca pensa neles quando toma medidas radicais, como aquela que impede os velhinhos de saltarem onde precisam na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Agora, também, com a permissão sem critério aos blocos, o carnaval passa a ser pesadelo e não folia.

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