domingo, 14 de outubro de 2012

Marcadas para morrer.



Cada vez que vejo maquetes de projetos arquitetônicos ou simulações delas feitas em algum programa de computador, por arquitetos famosos ou não, uma coisa me chama sempre a atenção: a falta de árvores ou uma vegetação pobre em termos de capacidade de sombreamento. Geralmente, são projetos arrojados, de linhas arquitetônicas modernas e espaciais, mas cercados por jardins de paisagem quase minimalista, tão econômica é a utilização de vegetação arbórea, como se a natureza fosse competir com a arquitetura. E isso, levando-se em conta que “fazer paisagismo” está na moda – imaginem se não estivesse.
Todas essas coisas me voltaram à mente a semana que passou, quando li – pela “septuagésima nona vez”, só este ano – sobre a morte de três árvores na Urca, no Rio de Janeiro, uma vez mais sob a batuta e a “desorientação” da Comlurb.
- Como me parece “déjà vu” o fato de as três árvores serem amendoeiras de mais de 40 anos de doação de sombra generosa e abrigo aos que por debaixo delas passavam!
Além da bobagem de acharem hoje em dia que amendoeiras não nos servem mais, por serem invasoras na nossa paisagem, elas ainda pecam por “sujarem” o chão das ruas, com suas folhas que caem no outono. Quem vai querer árvores que “sujam”?
O fato é que a população das cidades ainda não se deu conta da importância da preservação das “velhas” árvores e da necessidade de termos muitas copas sobre nossas cabeças. Nem a Prefeitura, de que é preciso urgentemente colocar na Comlurb pessoas com mais capacidade e  consciência da responsabilidade e do poder que têm nas mãos.  A desculpa é a de sempre: as árvores estavam mortas. Na verdade, acho que elas estavam apenas condenadas a morrer, justamente por serem velhas e, portanto, inúteis, como tudo o que é velho nos tempos atuais. O triste é que podem plantar mil outras árvores para compensar essas perdas, mas quantos anos serão necessários para que elas consigam nos dar sombra?

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