Cada vez que vejo maquetes de
projetos arquitetônicos ou simulações delas feitas em algum programa de
computador, por arquitetos famosos ou não, uma coisa me chama sempre a atenção:
a falta de árvores ou uma vegetação pobre em termos de capacidade de
sombreamento. Geralmente, são projetos arrojados, de linhas arquitetônicas
modernas e espaciais, mas cercados por jardins de paisagem quase minimalista, tão
econômica é a utilização de vegetação arbórea, como se a natureza fosse
competir com a arquitetura. E isso, levando-se em conta que “fazer paisagismo”
está na moda – imaginem se não estivesse.
Todas essas coisas me voltaram à
mente a semana que passou, quando li – pela “septuagésima nona vez”, só este
ano – sobre a morte de três árvores na Urca, no Rio de Janeiro, uma vez mais sob
a batuta e a “desorientação” da Comlurb.
- Como me parece “déjà vu” o fato
de as três árvores serem amendoeiras de mais de 40 anos de doação de sombra
generosa e abrigo aos que por debaixo delas passavam!
Além da bobagem de acharem hoje
em dia que amendoeiras não nos servem mais, por serem invasoras na nossa
paisagem, elas ainda pecam por “sujarem” o chão das ruas, com suas folhas que
caem no outono. Quem vai querer árvores que “sujam”?
O fato é que a população das
cidades ainda não se deu conta da importância da preservação das “velhas”
árvores e da necessidade de termos muitas copas sobre nossas cabeças. Nem a
Prefeitura, de que é preciso urgentemente colocar na Comlurb pessoas com mais
capacidade e consciência da responsabilidade
e do poder que têm nas mãos. A desculpa
é a de sempre: as árvores estavam mortas. Na verdade, acho que elas estavam
apenas condenadas a morrer, justamente por serem velhas e, portanto, inúteis, como
tudo o que é velho nos tempos atuais. O triste é que podem plantar mil outras
árvores para compensar essas perdas, mas quantos anos serão necessários para
que elas consigam nos dar sombra?

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