segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Perdemos vidas. Vamos salvar as matas ciliares.


Há vários dias, tento botar no papel o sentimento que me vem à alma diante do quadro de desolação e dor causado pelas chuvas torrenciais que castigam algumas das cidades serranas mais bonitas e famosas do Rio de Janeiro. Mas, a cada dia, a chuva continua e o número de mortos aumenta. Ontem cedo, abri o jornal e a nova estatística estava lá: 633 mortos e 133  desaparecidos. Até a hora em que o jornal foi impresso. Agora, provavelmente, os números já serão outros. Nem sei como falar do  óbvio. O homem afrontou. A natureza veio tomar de volta. Simples assim, como diz o povo.
Ganância,  desejo de poder, usufruir do luxo, ter, ter, ter. Irresponsavelmente, vamos aterrando, desmatando, desviando cursos de rios e o que mais for necessário para fazermos parte do status quo e garantir nossa mansão ao sol. Ou garantir a exploração da pobreza, com total descaso, deixando que as construções populares se amontoem nos lugares mais impróprios.
Apesar de já termos conseguido aprovar algumas leis, que fazem parte do nosso Código Florestal e que seguram um pouco a devastação, temos ainda que abrir o olho contra projetos que surgem tentando modificá-las, como é o caso do engendrado pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B de SP), que tenta reduzir de 30 para 15 metros a área de proteção permanente nas margens dos rios – as chamadas matas ciliares. Como cílios protetores,  elas se formam nas margens para barrar a entrada de poluentes que  afetam os cursos d’água e envenenam a fauna aquática e a espécie humana. Essa mesma água que já anda com prazo de validade ameaçado de expirar e que, tristemente, nesse momento, trouxe tanta  dor e destruição.

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