domingo, 30 de janeiro de 2011

A natureza faz ...

... o homem desfaz

Prevenir ou remediar? Para que servem as APAs?

Quando as águas começam a baixar, mais lama aparece. Depois da catástrofe que dizimou centenas de vidas na região serrana do Rio, e com ainda tantos desaparecidos,  ficamos sabendo que das ocupações no Vale do Cuiabá, em Itaipava, pelo menos 34% eram em  Áreas de Preservação Ambiental (APA). De que serve se criar uma APA que não é respeitada? Por que as autoridades desse país, ao invés de serem coniventes com as situações ilegais, não cumprem o seu papel de fiscalizar e fazer valer a lei? A quem interessa perder dinheiro para preservar a vida das pessoas e, numa visão macro, a vida do planeta?
Ainda assim, é bom quando as pessoas começam a acordar para os problemas como os já mencionados nesse blog, no que toca, por exemplo, à devastação das matas ciliares. Esta semana, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, e a presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, anunciaram a criação de cinco parques fluviais em Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis. Isso quer dizer que não vai ter jeito se não for levada em conta a necessidade de se reflorestar a mata das margens dos rios e,  por conseguinte, manter esses limites respeitados.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Desolação.

Código Florestal – diga não à devastação!


Indiferente à tragédia que se abateu sobre o Rio de Janeiro, o relator da Comissão Especial do Código Florestal, deputado federal Aldo Rebelo (PC do B/SP), espera que o projeto de lei 1876-99, de sua autoria,  que objetiva reformar o Código Florestal brasileiro  (Lei 4771/65), seja votado pelo Congresso Nacional até março. É esse o prazo que ele espera para poder presentear os produtores rurais com a possibilidade de devastar ainda mais as matas do país.
Pelo novo código, as Áreas de Preservação Ambiental (APA) poderão ser alteradas pelos estados que tiverem realizado o Zoneamento Ambiental, o que significa que a área mínima reservada para a mata ciliar, não somente passaria de 30 para 15 metros, como esse número poderia cair para 7,5 metros, dependendo da legislação de cada estado. Com essa mudança, segundo os técnicos, os seis biomas brasileiros deixariam de estocar 156 milhões de toneladas de carbono, que correspondem a mais de 570 milhões de toneladas de CO2eq (CO 2 equivalente), em área de 1,8 milhão de hectares.  Ou seja, podem ir para o espaço as metas brasileiras para reduzir  a emissão de gases de efeito estufa.
O novo Código livra também os pequenos produtores rurais (com propriedades de até quatro módulos rurais),de cumprir os percentuais de reserva legal, que são de 20% para mata atlântica e caatinga, 35% para o cerrado e de 80% para a floresta amazônica. Ainda mais: ele dá anistia a quem tenha ocupado indevidamente encostas e beiras de rio, prevê a diminuição da reserva legal e retira a proteção das áreas anualmente resguardadas.  E aí, vamos deixar que isso aconteça?
Diante de tanta dor e sofrimento com as mortes e a devastação causadas pela força da natureza na região serrana fluminense, não podemos mais nos calar e omitir, compactuando com crimes ambientais que vêm a reboque dos interesses financeiros, como os dos ruralistas que querem alterar o nosso Código Florestal. Vamos gritar, minha gente!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

mata ciliar no Rio Amazonas - a vida pulsando em plenitude

a erosão e o empobrecimento causados pelo desmatamento

Perdemos vidas. Vamos salvar as matas ciliares.


Há vários dias, tento botar no papel o sentimento que me vem à alma diante do quadro de desolação e dor causado pelas chuvas torrenciais que castigam algumas das cidades serranas mais bonitas e famosas do Rio de Janeiro. Mas, a cada dia, a chuva continua e o número de mortos aumenta. Ontem cedo, abri o jornal e a nova estatística estava lá: 633 mortos e 133  desaparecidos. Até a hora em que o jornal foi impresso. Agora, provavelmente, os números já serão outros. Nem sei como falar do  óbvio. O homem afrontou. A natureza veio tomar de volta. Simples assim, como diz o povo.
Ganância,  desejo de poder, usufruir do luxo, ter, ter, ter. Irresponsavelmente, vamos aterrando, desmatando, desviando cursos de rios e o que mais for necessário para fazermos parte do status quo e garantir nossa mansão ao sol. Ou garantir a exploração da pobreza, com total descaso, deixando que as construções populares se amontoem nos lugares mais impróprios.
Apesar de já termos conseguido aprovar algumas leis, que fazem parte do nosso Código Florestal e que seguram um pouco a devastação, temos ainda que abrir o olho contra projetos que surgem tentando modificá-las, como é o caso do engendrado pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B de SP), que tenta reduzir de 30 para 15 metros a área de proteção permanente nas margens dos rios – as chamadas matas ciliares. Como cílios protetores,  elas se formam nas margens para barrar a entrada de poluentes que  afetam os cursos d’água e envenenam a fauna aquática e a espécie humana. Essa mesma água que já anda com prazo de validade ameaçado de expirar e que, tristemente, nesse momento, trouxe tanta  dor e destruição.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Livros, iPads e barracas

Com a onda verde que invade o planeta, rola uma certa discussão por aí sobre o que seria melhor, ou menos ruim, ecologicamente falando: se livros  impressos em papel ou armazenados em modernos iPads.
Ao mesmo tempo em que a discussão se dá, as perguntas se sucedem: De que árvores foram extraídas as madeiras que viraram celulose? Quais os impactos que os metais usados na fabricação de iPads e outros tais causam na natureza?     
          Enquanto o gabarito dessas respostas não sai, as “gentes” com mais de cinqüenta anos ficam se apegando a idéias românticas do passado.  Afinal, livro que é livro (aquele de papel, legítimo), a gente pode levar pra qualquer lugar, quando está cansado de ficar trancado em casa,  principalmente em dias de sol pra lá de escaldante. IPad também pode, dirão os mais apaixonados. Mas você já pensou em levar para a praia um trambolho que não pode molhar, pegar maresia, entrar areia, ficar torrando ao sol nem ser deixado de lado um segundo, por conta dos larápios de ocasião?
Seja como for, e, por falar em praia, o que é aquele negócio de unificar cores de barracas e deixar a praia toda vermelha, num dia de lotação esgotada na areia? Unifica cor de barraca, unifica cor de ônibus, unifica cor de táxi, unificam as modas, as cabeças das pessoas, as expressões do dia-a-dia, os comportamentos etc. etc. etc. Parece que tudo no mundo está ficando muito previsível, igual e chato.