sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Erva de passarinho e a desculpa esfarrapada




Dia 22 de dezembro começa oficialmente o verão. Apenas oficialmente. Porque, pelo menos para os moradores da cidade que já foi maravilhosa, o calor e o sol inclemente já começam a mostrar a que virão, nesses dias de primavera. E aí, só nos resta procurar a sombra das árvores, se ainda restarem árvores no Rio de Janeiro até lá.
Sob a desculpa primeira de livrarem as fiações dos galhos baixos, há muito os podadores oficiais da cidade vêm matando e mutilando nossas árvores, diante do olhar impotente e desesperado de uma parte da população, consciente da importância de se preservar a vegetação. A desculpa era boa, mas em muitos lugares não havia fios de eletricidade que justificassem as árvores perderem todos os seus galhos mais baixos e ficarem  somente com os de cima, do alto, como uma girafa de pescoço comprido.
Pra início de conversa, podas só devem ser feitas nos meses que não contém R –  regra número um da sabedoria popular. Ou seja, de maio a agosto, são quatro meses do ano de que os podadores oficiais dispõem para que as árvores sejam desbastadas. E isso é ainda melhor porque “coincide” com o nosso inverno, o que nos permite ter um pouco mais de sol para esquentar os ossos na época do frio.  
Isso é o que deveria acontecer mas não é o que acontece. Sem nenhum conhecimento do que fazem, os responsáveis pela poda continuam agindo, quando o verão já se insinua nas ruas, com uma desculpa a mais: acabar com as ervas de passarinho. Pura mentira. Na rua onde moro tem várias árvores antigas em frente ao meu prédio que acabaram de sofrer aquelas podas drásticas que só a Comlurb sabe fazer. Pois bem, do alto da minha janela, vejo que eles só tiraram os galhos de baixo, onde era possível tirar as ervas, e deixaram em cima um emaranhado de fios contorcidos, trazidos pelos nossos amados pássaros. Só que, ali, tão alto, é impossível tirar as ervas de passarinho  e é justamente essa a parte da planta que deveria ter saído. Cortando em cima, estimularíamos mais as brotações laterais, que são as responsáveis pelas sombras de que tanto precisamos.
 Moral da história: está cada vez mais duro andar pelas ruas da cidade, sem a sombra amiga de nossas árvores. Paisagistas, arquitetos, políticos, pessoas sensíveis e inteligentes desse país: vamos salvar as árvores e garantir nosso lugar à sombra.

Um comentário:

  1. Muito boooooooooooooooom!!!
    Proteção ambiental tem que incluir a nossa cidade. Eu não sei nada de poda de árvore, como não deve saber a maioria da população.
    Pelo visto, também não sabem os que deveriam entender do assunto.
    Parabéns. Gostei muito do seu blog.

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