domingo, 28 de novembro de 2010

Zingiber spectabilis - JBRJ

O Jardim Botânico e o caos

No meio do caos de toda ordem e da guerra pelo poder que envolve o tráfico dentro do Estado do Rio de Janeiro, é triste imaginar que outra guerra esteja sendo travada nos limites do parque do Jardim Botânico da cidade: esta pela ocupação de terreno público, parte em área de visitação do parque, parte em área de proteção ambiental.
Ora, também eu adoraria morar no meio daquele oásis de vegetação, mas dói saber que toda aquela riqueza, reconhecida internacionalmente como laboratório vivo de pesquisa, foi sendo minada na calada da noite, como de resto a Mata Atlântica vem sumindo do mapa do Brasil.

A que vim

Essa página surgiu da necessidade de abrir um espaço onde eu possa expressar as questões ecológicas e de cidadania, tão em moda em nossos dias mas ainda tão maltratadas pelo poder público e pelos cidadãos.
Sempre que achar importante, postarei fotos que ilustrem de alguma forma o que aqui é tratado.
O espaço é aberto ainda para falar de arte, de natureza e de amor, enfim.
Boas vindas aos que aqui vierem!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Erva de passarinho e a desculpa esfarrapada




Dia 22 de dezembro começa oficialmente o verão. Apenas oficialmente. Porque, pelo menos para os moradores da cidade que já foi maravilhosa, o calor e o sol inclemente já começam a mostrar a que virão, nesses dias de primavera. E aí, só nos resta procurar a sombra das árvores, se ainda restarem árvores no Rio de Janeiro até lá.
Sob a desculpa primeira de livrarem as fiações dos galhos baixos, há muito os podadores oficiais da cidade vêm matando e mutilando nossas árvores, diante do olhar impotente e desesperado de uma parte da população, consciente da importância de se preservar a vegetação. A desculpa era boa, mas em muitos lugares não havia fios de eletricidade que justificassem as árvores perderem todos os seus galhos mais baixos e ficarem  somente com os de cima, do alto, como uma girafa de pescoço comprido.
Pra início de conversa, podas só devem ser feitas nos meses que não contém R –  regra número um da sabedoria popular. Ou seja, de maio a agosto, são quatro meses do ano de que os podadores oficiais dispõem para que as árvores sejam desbastadas. E isso é ainda melhor porque “coincide” com o nosso inverno, o que nos permite ter um pouco mais de sol para esquentar os ossos na época do frio.  
Isso é o que deveria acontecer mas não é o que acontece. Sem nenhum conhecimento do que fazem, os responsáveis pela poda continuam agindo, quando o verão já se insinua nas ruas, com uma desculpa a mais: acabar com as ervas de passarinho. Pura mentira. Na rua onde moro tem várias árvores antigas em frente ao meu prédio que acabaram de sofrer aquelas podas drásticas que só a Comlurb sabe fazer. Pois bem, do alto da minha janela, vejo que eles só tiraram os galhos de baixo, onde era possível tirar as ervas, e deixaram em cima um emaranhado de fios contorcidos, trazidos pelos nossos amados pássaros. Só que, ali, tão alto, é impossível tirar as ervas de passarinho  e é justamente essa a parte da planta que deveria ter saído. Cortando em cima, estimularíamos mais as brotações laterais, que são as responsáveis pelas sombras de que tanto precisamos.
 Moral da história: está cada vez mais duro andar pelas ruas da cidade, sem a sombra amiga de nossas árvores. Paisagistas, arquitetos, políticos, pessoas sensíveis e inteligentes desse país: vamos salvar as árvores e garantir nosso lugar à sombra.