Para o antropólogo Roberto da
Matta, o que estamos vivendo no Brasil de hoje, enredados nas tramas do
mensalão, Rosemary, Lula, PT e tantas outras, pode ser compreendido no que ele
chama de “ética da condescendência”, em que os poderosos têm um discurso
moralista que só não vale para os amigos. Ou seja: mais um ano fica para trás
sepultando nossas esperanças de que as coisas vão melhorar e o Brasil vai
conseguir superar seus problemas e suas idiossincrasias. Ainda não foi dessa
vez.
No ano que passou, entre idas e
vindas, a presidente Dilma acabou vetando nove pontos do projeto do Código
Florestal, que os ruralistas prometeram contestar. Ainda assim, a realidade é
que a Floresta Amazônica continua sendo desmatada e ficando mais pobre a cada
ano, sem que nada consiga deter esse fato, enquanto as mudanças climáticas vão
levando espécies à extinção e o homem poluindo seus mares e rios com lixo
plástico.
Em meio a tudo isso, fechando os
olhos ao inegável crescimento da consciência do valor da agricultura orgânica,
o Ministério da Agricultura pressiona para a liberação de produtos agrotóxicos,
que tanto mal causam à saúde da população. Esse é o Brasil das cidades cujos
governantes só pensam em faturar votos, benesses, fortunas e onde os viadutos
vão sendo corroídos pelo descaso, as árvores arrancadas sem dó nem piedade e o
povo sem voz assistindo de camarote. Feliz 2013!
